Ekklesia — ἐκκλησία
A assembleia convocada. Do grego que traduz o hebraico qahal — povo reunido por convocação divina. Raiz etimológica da palavra “igreja” em toda a tradição cristã.
A palavra grega ekklesia (ἐκκλησία) é composta de ek (fora) e kaleo (chamar) — literalmente “os chamados para fora”, “a assembleia convocada”. No grego clássico designava a assembleia de cidadãos livres convocados para deliberar assuntos públicos.
Na Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento), ekklesia traduz o hebraico qahal — a assembleia do povo de Israel convocada por Deus. Essa raiz semântica é fundamental: a Igreja não é uma organização humana, mas uma convocação divina.
“E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (ekklesia), e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” — Mateus 16:18 (ARC)
No Novo Testamento, ekklesia aparece 114 vezes, designando tanto a comunidade local de crentes quanto a Igreja universal. Paulo desenvolve a teologia da ekklesia como Corpo de Cristo — organismo vivo em que cada membro tem função e dignidade.
A etimologia de ekklesia ilumina a natureza da Igreja. Ela não existe por iniciativa humana — existe porque Deus convocou. O crente não escolhe a Igreja como escolhe um clube; é chamado para ela. A Igreja é antes de tudo um evento divino, não uma instituição humana.
Essa raiz também está na origem do nome Ekklesiastes — o pregador que se dirige à assembleia, o assembleador de sabedoria que fala ao qahal reunido.