Regeneração
O novo nascimento, obra soberana do Espírito Santo que transforma o coração morto em coração vivo. Fundamento invisível de toda conversão genuína, anterior mesmo à fé que professamos.
A regeneração é a obra soberana e instantânea do Espírito Santo que dá vida espiritual a quem estava morto em pecado. É o que Jesus descreveu a Nicodemos, um mestre respeitado em Israel, como “nascer de novo”, uma expressão que o deixou genuinamente perplexo.
“Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.” — João 3:3 (ARC)
Nicodemos entendeu a expressão literalmente e perguntou como alguém poderia voltar ao ventre materno. Jesus esclarece que o novo nascimento é obra do Espírito, não da carne: “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6 ARC). É uma transformação que ocorre num plano completamente diferente daquele da geração biológica, invisível, soberana, e comparada por Jesus ao vento: “não sabes de onde vem, nem para onde vai” (João 3:8 ARC).
Paulo descreve a condição anterior à regeneração em termos radicais: “estáveis mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2:1 ARC). Não fracos, não doentes, mortos. Um morto não pode se ressuscitar; a iniciativa da regeneração é inteiramente de Deus. “Deu-nos ele a nova vida… segundo a sua grande misericórdia” (1 Pedro 1:3 ARC, parafraseado).
Uma questão teológica importante é a relação entre regeneração e fé. A tradição reformada afirma que a regeneração precede logicamente a fé, o coração precisa ser vivificado pelo Espírito antes de poder genuinamente crer, pois “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:14 ARC). Não se trata de ordem cronológica perceptível pela experiência do convertido, mas de prioridade lógica: a fé é fruto da regeneração, não sua causa.
A regeneração produz efeitos observáveis, ainda que sua origem seja invisível. João afirma que “todo aquele que é nascido de Deus não pratica pecado” (1 João 3:9 ARC), não no sentido de perfeição absoluta, mas de uma nova natureza que se opõe estruturalmente ao pecado habitual. Quem nasceu de novo tem um novo apetite, uma nova direção, um novo Pai.