Línguas como de fogo: quando o céu desceu à terra

batismo no Espírito Santo

“E foram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” — Atos 2:4 (ARC)

O batismo no Espírito Santo é o tema mais transformador e mais mal compreendido do movimento pentecostal. E tudo começa naquele aposento alto em Jerusalém, no dia de Pentecostes.

Havia cento e vinte pessoas reunidas. Não eram bispos nem teólogos. Eram pescadores, mulheres, ex-cobradores de impostos, pessoas comuns que haviam seguido Jesus e que agora aguardavam, conforme ele havia prometido, o Consolador. Esperavam sem saber exatamente o que esperar. E o que veio superou qualquer expectativa.

O que aconteceu naquele dia

Lucas, em Atos 2, descreve o evento com precisão e reverência ao mesmo tempo. De repente veio do céu um som como de vento impetuoso e veemente. Línguas como de fogo apareceram e pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas.

Três elementos se destacam nessa cena, e cada um deles é teologicamente denso.

O vento, em hebraico ruach, em grego pneuma, é a mesma palavra usada para Espírito. Não por acidente. Deus que soprou vida em Adão agora sopra vida nova sobre sua igreja. O mesmo fôlego criador que gerou a humanidade agora regenera o povo de Deus.

O fogo remete ao Sinai, onde Deus se revelou a Moisés. Remete ao altar do Tabernáculo, onde o fogo nunca deveria se apagar. Remete a João Batista, que disse: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.” O fogo de Pentecostes não é decorativo. É a presença purificadora e transformadora de Deus descendo sobre pessoas, não sobre um templo de pedra, mas sobre corpos humanos.

As línguas, o elemento mais debatido, são a expressão visível de uma realidade invisível. O Espírito que encheu aquelas pessoas precisava de uma saída. E saiu pela boca. Em idiomas que os presentes reconheciam como suas línguas natais, galileus falando em persa, árabe, ponto, frígio.

Por que Pentecostes ainda importa

É fácil ler Atos 2 como história. Como um evento extraordinário que aconteceu uma vez, num dia específico, numa cidade específica, e que ficou registrado como marco fundacional da Igreja.

Mas Pedro, naquele mesmo dia, citando o profeta Joel, deixa claro que o que aconteceu não é uma exceção histórica, é o cumprimento de uma promessa universal:

“Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre toda a carne.” — Atos 2:17 (ARC)

Toda a carne. Não apenas os apóstolos. Não apenas os judeus. Não apenas os que estavam no aposento alto. Toda a carne, homens e mulheres, velhos e jovens, servos e livres.

O batismo no Espírito Santo não é privilégio de uma geração. É promessa para todos os que o Senhor nosso Deus chamar, incluindo você.

O fogo que transforma

Pedro, que poucas semanas antes havia negado Jesus três vezes diante de uma criada, agora se levanta diante de milhares e prega com uma coragem que só pode ser explicada por algo além dele mesmo. Como refletimos em O Fogo que Ainda Queima, o fogo de Deus não depende do nosso estado emocional, depende da fidelidade dele.

Isso é o que o fogo de Pentecostes faz. Não é apenas um fenômeno espiritual extraordinário para ser admirado de longe. É poder, dynamis em grego, raiz de “dinamite”, para ser testemunha de Jesus em Jerusalém, na Judeia, na Samaria e até os confins da terra.

A pergunta não é se o Espírito ainda age. A pergunta é se nos abrimos para ser preenchidos por ele, não uma vez, mas continuamente, como Paulo instrui em Efésios 5:18: “enchei-vos do Espírito”.

O fogo desceu em Pentecostes. E ainda queima. O batismo no Espírito Santo não é experiência para admirar de longe, é poder para viver e testemunhar.

Pergunta para reflexão: Você tem buscado a presença e o poder do Espírito Santo como algo contínuo na sua vida, ou tem se contentado com experiências passadas enquanto o fogo vai diminuindo?

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