Xenofobia à luz das Escrituras
A Escritura condena repetidamente o desprezo ou hostilidade ao estrangeiro, ordenando amor e acolhimento, um tema ético bíblico frequentemente negligenciado.
Xenofobia, medo ou hostilidade ao estrangeiro, é condenada de forma consistente e repetida ao longo de toda a Escritura, do Pentateuco aos Evangelhos. É um tema ético bíblico robusto, embora frequentemente subestimado em círculos evangélicos contemporâneos.
“Não afligirás o estrangeiro, nem o oprimirás, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito.” — Êxodo 22:21 (ARC)
A lei mosaica ordena repetidamente o cuidado com o ger, o estrangeiro residente em Israel: “amareis, pois, o estrangeiro; porque estrangeiros fostes na terra do Egito” (Deuteronômio 10:19 ARC). A justificativa teológica é significativa, o próprio Israel conheceu a condição de estrangeiro vulnerável, e essa memória deveria moldar sua ética social.
Jesus radicaliza essa ética na parábola do bom samaritano (Lucas 10:25-37), precisamente escolhendo como herói moral alguém pertencente a um grupo etnicamente desprezado pelos ouvintes judeus originais, para redefinir quem é o “próximo” a ser amado: não apenas o compatriota, mas qualquer ser humano necessitado, independente de origem étnica.
Paulo declara em Gálatas 3:28 que, em Cristo, “não há judeu nem grego”, não eliminando identidades étnicas, mas subordinando-as a uma identidade mais fundamental e unificadora em Cristo, que torna hostilidade étnica incompatível com o Evangelho.
A hospitalidade ao estrangeiro (filoxenia, literalmente “amor ao estranho”) é listada como qualificação para liderança na igreja (1 Timóteo 3:2) e virtude esperada de todo cristão (Romanos 12:13; Hebreus 13:2), o oposto exato da xenofobia, tratado não como opção, mas como obediência esperada.