Monergismo
A convicção de que a regeneração é obra exclusiva de Deus, o Espírito age sozinho para dar vida ao morto espiritual, sem cooperação humana anterior à fé.
Monergismo (do grego monos, “único”, e ergon, “obra”) é a doutrina de que a regeneração espiritual é realizada inteiramente por Deus, sem contribuição ou cooperação humana no ato mesmo de dar vida ao morto espiritual. Contrasta-se com sinergismo, visão de que a regeneração envolve cooperação entre a graça divina e a resposta humana.
“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados.” — Efésios 2:1 (ARC)
O argumento monergista central é análogo simples, mas contundente: um morto não pode cooperar com sua própria ressurreição. Se a condição pré-conversão é morte espiritual, como Paulo insiste repetidamente, então a iniciativa de vivificar não pode partir do próprio morto, precisa vir inteiramente de fora, de Deus.
Isso não significa que o ser humano seja passivo na conversão como um todo, a fé é exercida pela própria pessoa, o arrependimento é resposta pessoal. Mas monergistas argumentam que essa própria capacidade de crer e se arrepender é fruto da regeneração antecedente, não sua causa. A ordem lógica é: regeneração → fé → conversão consciente, não o inverso.
João 1:13 reforça essa ênfase ao descrever os que creem como nascidos “não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”, uma explícita exclusão de qualquer origem humana para o novo nascimento.
O monergismo não nega responsabilidade humana, a Escritura mantém ambas as verdades em tensão, chamando genuinamente à fé e ao arrependimento, enquanto atribui a capacidade última de responder a essa obra soberana e anterior do Espírito.